O que a pesquisa sobre perfil do ciclista brasileiro revela sobre Salvador

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Depois de 8 meses de trabalho com mais de 5 mil entrevistas realizadas com pessoas que afirmaram usar a bicicleta como meio de transporte pelo menos uma vez por semana, a Transporte Ativo divulgou os resultados da pesquisa “Perfil do Ciclista Brasileiro” que contou com análises feitas pelo Observatório das Metrópoles e pelo Laboratório de Mobilidade – PROURB-UFRJ. O Bike Anjo apoio este processo através da aplicação dos questionários de Salvador. Durante a aplicação foram observados critérios como amostragem proporcional a quantidade de habitantes, distribuição proporcional por gênero e áreas da cidade.

A pesquisa englobou 10 capitais do país o que tornou possível traçar um perfil nacional, mas vamos aqui dar ênfase às informações de Salvador, lembrando que o banco de dados produzido é muito rico e certamente será possível fazer novas análises cruzando mais informações, de uma ou mais cidades.

 

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Resultados já divulgados anteriormente:

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  • 69,4% pedala mais de 5 dias por semana, o que nos leva a crer que a pessoa que decide adotar a bicicleta como meio de transporte é levada a usar a bike na maior parte dos seus deslocamentos por causa dos benefícios percebidos.
  • 52,6% pedala a menos de 5 anos. Isso significa que o número de ciclistas da cidade dobrou nos últimos 5 anos.
  • 11,8% integra a bicicleta com outros meios de transporte. Com este número Salvador ficou em 8º lugar o que é alarmante considerando que 31% dos deslocamentos de bike na cidade levam mais de meia hora. Tendo estacionamentos seguros para as bicicletas em locais de transição como estações de ônibus e metrô e tendo um transporte público de qualidade mais pessoas irão adotar a bicicleta como meio de transporte sabendo que podem percorrer um parte do caminho usando outro veículo.
  • 35% tem renda entre 1 e 2 salários mínimos mas se somarmos quem ganha até 1 salário esse número sobe para 55,8% o que significa que mais da metade das pessoas que pedala em Salvador é da classe menos favorecida. Este índice está acima da média nacional e indica que é necessário incentivar as pessoas com maior renda a usarem a bicicleta como meio de transporte pois historicamente as mudanças mais significativas e duradouras no sistema cicloviário de outras cidades ocorreram depois que a classe média passou a sentir as necessidades e reivindicar melhorias.
  • 56,3% dos deslocamentos são feitos entre 10-30 minutos. Isto reforça a necessidade de integração com outros meios de transporte.
  • 29,7% com idade entre 25-34 anos coloca a cidade em 7º lugar e se formos analisar a quantidade de pessoas com menos de 24 anos (14,2%) a situação fica ainda pior. É preciso incentivar os jovens a irem de bike alpara a escola, faculdade ou trabalho para garantir que no futuro a quantidade de cilistas continuará aumentando.

 

Novos dados:

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  • Apenas 18,4% das pessoas começou a usar a bicicleta por causa o menor custo. Isso desmistifica a ideia de que “só usa a bicicleta quem não tem o dinheiro do ônibus”. Na verdade um número expressivo de pessoas (34,6%) começou a pedalar por causa da saúde o que indica que a cidade deve continuar valorizando o ciclismo de lazer e esporte como porta de entrada para novos ciclistas. O maior motivador de todos foi a busca por rapidez e praticidade (37,7%) o que deixa claro que o congestionamento é um problema constante e a bicicleta é vista como uma solução eficaz.
  • Depois que as pessoas começaram a pedalar a preocupação ambiental aumentou (de 4,7% para 6,2%)  e a preocupação com a saúde também (de 34,6% para 37,3%), mas o quesito que continua motivando de verdade os que já pedalam continua sendo a busca pela rapidez e praticidade (37,3%).
  • O principal destino é o trabalho (84,5%) mas o que chamou a atenção é o alto índice de pessoas que usam a bicicleta para fazer compras (67%). Este dado é especialmente interessante para os comerciantes que historicamente reclamam quando ciclovias são construída nas proximidades do seu negócio.
  • O ciclista de Salvador está mais incomodado pela falta de educação no trânsito (43,9%) do que pela falta de infra-estrutura (32,4%). Isso demostra que a cidade precisa investir mais em campanhas educativas.
  • O que levaria a maioria das pessoas a pedalar mais é a ampliação da infra-estrutura cicloviária da cidade (54,8%), no entanto, o anseio por ruas e ciclovias mais arborizadas (9,1%) do soteropolitano está muito acima da média nacional (4,7%).

 

Compare com a média nacional:

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O PDF do livreto contendo o resumo da pesquisa pode ser baixado em:
http://www.ta.org.br/perfil/perfil.pdf

O relatório completo da pesquisa pode ser baixado em: http://www.ta.org.br/perfil/ciclista.pdf.

 

Sistema de bicicletas públicas

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Durante o evento de lançamento o sistemas de bicicletas públicas foi foco de debate e foi apresentada uma outra pesquisa realizada pelo CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento que colocou o Bike Salvador em último lugar no quesito de quantidade de viagens realizadas (bicicleta/dia) e indicou que a maioria das viagens são feitas com o objetivo de lazer.

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